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Minha fé é maior que meu medo. Por José Antonio Puppio

É imperioso mantermos a fé, mas uma fé viva e ativa, para que, juntos, possamos contribuir para um país rico e desenvolvido

Em tempos de dificuldade econômica e política, é uma tradição que a população como um todo tenha um sentimento de pessimismo e temor pelo que virá. Em todos os setores da sociedade, a população e o governo resolvem baixar a guarda, dar um passo atrás ou simplesmente parar de tomar decisões para evitarem mergulhar de cabeça na tão temida crise, que o próprio político criou.

Entretanto, sigo o caminho inverso do senso comum. Acredito que é justamente nos momentos de crise que devemos tomar o impulso necessário para enxergarmos novas e promissoras oportunidades, levando em conta o ditado “depois a tempestade vem a bonança”, desde que o governo tome as providências corretas e necessárias para que tal ocorra. Pois o povo não tem participações na crise gerada pelo governo.

Isso é absolutamente verdadeiro quando lembramos que estamos inseridos em um país imenso, com potencial e capacidade na mesma proporção, que foi Deus quem nos deu. Pois não temos vulcão, tornados, área congeladas, por fim não temos nenhum acidente natural.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café e o segundo maior consumidor do produto, cujo parque cafeeiro possui 2,25 milhões de hectares. Por conta da diversidade de regiões destinadas à cultura do café, o país produz diversos tipos do produto, o que possibilita atender às diversas demandas mundiais.

O país segue na ponta da produção de cana-de-açúcar, açúcar e etanol. É responsável por mais da metade do açúcar comercializado mundialmente e conta com o aumento significativo do consumo interno de etanol. Mas poderíamos estar não com 700 usinas de açúcar e álcool e sim com três milhões de usinas e poderíamos quase que abastecer o mundo com etanol e gerar uma imensidão de empregos, se o governo colocasse uma política correta da cana de açúcar.

Com uma produção média anual de 3,5 milhões de toneladas, o típico feijão das mesas dos brasileiros faz o país alcançar a marca de maior produtor mundial do produto, mais ainda poderíamos chegar a exportar esta leguminosa
se uma política adequada fosse implantada pelo governo.

Outro produto que faz o país ocupar a liderança é a laranja. O Brasil é responsável por 60% da produção mundial de suco de laranja e é o maior exportador do produto, mas já detivemos 75% da produção mundial da laranja e precisamos voltar a esse patamar, mas sem incentivos e com uma carga tributária horrível não vamos chegar a lugar nenhum.

Temos ganhado notoriedade em outras culturas, como o algodão. Passamos de maior importador para o terceiro maior exportador do produto e ocupamos a terceira colocação na produção de milho, sem mencionar que temos hoje o segundo lugar na produção do cacau.

Isso quando falamos apenas em culturas agrícolas. Se avançarmos mais um pouco, observaremos um potencial imenso em diversos setores, como na indústria de minérios e de transformação, já que abastece todos os setores produtivos do Brasil, e funciona como termômetro dos investimentos no país.

O País como um todo poderia trazer uma distribuição das riquezas naturais, com uma política democrática melhor e mais aberta.

Embora reconheçamos que, atualmente, todos os setores enfrentam dificuldades, não por problemas dos produtores e sim de uma má administração do governo, para se manterem e se vejam obrigados, em última instância, a reduzir o quadro de funcionários, considero de suma importância a implementação de medidas rápidas e eficazes do governo, capazes de restabelecer a confiança da população e de elevar o país a um patamar de destaque no cenário mundial, mesmo sabendo que poderá ser uma recuperação longa, mas precisamos de um governo corajoso e inteligente para colocar políticos corretos no dia a dia.

Um bom e importante começo seria termos um país que acredita e que implementa reformas estruturantes e políticas, reduz a taxa de juros, incentiva o consumo e diminui os custos da máquina pública e reduz a carga tributária que hoje é impagável. Sem cortar na carne do governo e não do povo ,o governo não consegui fazer a economia girar somente empurra com barriga.

E a nós, brasileiros, cabe a nossa parte em cobrar desses mesmos governantes a efetiva tomada de decisões claras e transparentes, que objetivem manter a relevância naquilo que o país já ocupa as primeiras colocações e desenvolver os potenciais que o Brasil tem plena competência em explorar, tendo a coragem de renovar a casta política que já deu flor.

É imperioso mantermos a fé, mas uma fé viva e ativa, para que, juntos, possamos contribuir para um país rico e desenvolvido, que merece ocupar a primeira fileira das grandes nações desenvolvidas. Fazendo com que o povo tenha condições de se desenvolver aproveitando das riquezas naturais do todo país.

*J.A.Puppio é empresário, autor do livro “Impossível é o que não se tentou”.