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O futuro do transplante capilar acaba de chegar ao Brasil

O aparelho do cirurgião capilar João carlos Pereira, de São José do Rio Preto, é o primeiro robô do Brasil a receber esse “upgrade” na cirurgia. Com isso, agora é possível realizar a perfuração e criar os orifícios no couro cabeludo calvo, de forma precisa, para receber os enxertos com cabelos provenientes da área doadora. Até então, essa etapa da cirurgia era realizada manualmente.

O Robot Artas, sucesso no Brasil e no mundo para realização de transplantes capilares, acaba de receber a mais nova atualização por intermédio do cirurgião capilar João Carlos Pereira, de São José do Rio Preto/SP.
O aparelho do rio-pretense é o primeiro robô do Brasil a receber esse “upgrade” na cirurgia.
Com isso, agora é possível realizar a perfuração e criar os orifícios no couro cabeludo calvo para receber os enxertos com cabelos provenientes da área doadora. Até então, essa etapa da cirurgia era realizada manualmente.

“A perfuração através do robô é um avanço promissor, que incorpora mais tecnologia na cirurgia, que era essencialmente manual, e que permite ao profissional estabelecer critérios técnicos que valorizam o procedimento e diferenciam os resultados”, avalia o dermatologista João Carlos Pereira, especialista em cirurgia capilar robótica, introdutor da técnica na América Latina em 2014. Palestrante em congressos internacionais, Pereira é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e da International Society Hair Restoration Surgery, entre outras entidades de renome.

Atualmente, o robô realiza a extração dos cabelos de forma minimamente invasiva, de forma precisa e eficiente, através de micro perfurações nas áreas lateral e posterior do couro cabeludo, sem deixar cicatrizes lineares e sem dor no pós-operatório.
Há cerca de 250 robôs em atividade em mais de 40 países, sendo que quase 40% deles estão nos Estados Unidos, nas mãos dos mais renomados profissionais norte-americanos. No Brasil, há apenas seis equipamentos. O aparelho é aprovado pelo FDA americano e também pela ANVISA no Brasil.

O robô possui tecnologia americana concebida em 2011, para realizar o transplante capilar otimizando o procedimento, reduzindo o esforço, a fadiga e a variabilidade manual dos movimentos repetitivos realizados pelo médico. Contudo, sem deixar que sejam do cirurgião as decisões principais sobre quando e como realizar a cirurgia, de acordo com as condições de cada caso.
O Sistema Robótico Artas foi programado para ser concluído em três fases distintas. A primeira é a extração dos cabelos; a segunda, a perfuração do couro cabeludo, criando os orifícios que vão receber os fios extraídos da parte posterior da cabeça, e a terceira, a colocação dos folículos capilares. Essa última encontra-se em desenvolvimento, com programação para 2019.

Como funciona

Até então, no Brasil, o aparelho fazia somente a extração dos folículos pilosos da chamada área doadora. Depois de cinco anos de pesquisas realizadas por uma equipe multidisciplinar (engenheiros, médicos, e todo um departamento de profissionais especialistas em robótica), da companhia Restoration Robotics Inc., foram desenvolvidos novos recursos que possibilitam a perfuração precisa guiada por algoritmos inteligentes (Artas Artificial Intelligence).

Esse mecanismo utiliza um sistema de visão estereoscópica e realiza um mapeamento digital computadorizado da área calva, planificando a estratégia das perfurações de forma organizada, evitando os cabelos existentes para não danifica-los.

O médico pode ainda programar o ângulo de inserção e profundidade da agulha e a direção dos cabelos. Também organiza o espaçamento entre as perfurações de acordo com a proporção da área a ser transplantada com a quantidade de enxertos capilares disponíveis, para obter o melhor resultado estético.
Além dessas características, a velocidade permite realizar aproximadamente mil perfurações em menos de dez minutos, agilizando o tempo cirúrgico.

“No momento, a máquina realiza perfurações somente na parte frontal e superior da cabeça e, em breve, estará realizando também na região da posterior, chamada popularmente de coroa”, explica Yunuen Gutierrez, representante da empresa americana na América Latina, responsável pelo treinamento deste “upgrade” do robô aqui no Brasil.
Desde que a atualização foi liberada, há cerca de seis meses nos Estados Unidos, já foram realizados mais de mil procedimentos com essa tecnologia. “Agora, a estamos introduzindo no Brasil, por intermédio da máquina do Dr. Pereira, porque é a que detém o maior número de cirurgias robóticas de transplante capilar entre todos os robôs da América Latina. São mais de 350 procedimentos”, complementa Yunuen.

O procedimento

Para realizar a cirurgia, o paciente é submetido a uma anestesia local e pode permanecer acordado. A maioria, porém, opta por ser sedado e dormir durante o procedimento. As cirurgias são realizadas em centro cirúrgico e duram cerca de 6 a 8 horas, dependendo do caso.

“Utilizamos esse robô em nossas cirurgias há quase três anos, com sucesso e elevado índice de satisfação dos pacientes. Agora, apesar de pouco tempo, acredito que poderemos com mais esse avanço tecnológico evoluir cientificamente e valorizar cada vez mais os resultados dos transplantes capilares, e mudar a vida de homens e mulheres que não aceitam a calvície ou desejam recuperar seus cabelos e a autoestima perdidos durante a vida”, afirma Pereira.

Saiba mais

De acordo com a International Society Hair Restoration Surgery, mais de um bilhão de pessoas tem algum grau de calvície. O Oriente médio foi a região mundial com maior aumento percentual de transplantes capilares, entre 2004 a 2014, embora nos Estados Unidos se realize mais cirurgias do que em todo o mundo.
Segundo o cirurgião capilar João Carlos Pereira, ao realizar essa perfuração, o robô vai eliminar as variabilidades ocorridas, naturalmente, pelo cansaço das mãos do cirurgião, com os movimentos repetitivos ao longo da cirurgia. Ele reforça ainda que o paciente é submetido a uma anestesia (a mesma que o dentista usa), e não muda em nada o pós-operatório exigido para a realização da cirurgia no método anterior, ou manual.
O médico lembra que, a terceira fase do robô, que deverá fazer a implantação dos fios, está prevista para acontecer em 2019. Desde o ano passado, quando a segunda fase foi liberada nos Estados Unidos, já foram realizados 1,1 mil procedimentos entre os americanos e alguns outros países onde o “upgrade” já foi feito.

Website: http://www.transplantedecabelo.com.br

Fonte: Dino