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Campanha mundial quer acabar com testes em animais na indústria de cosméticos até 2020

Para os veganos, não estimular a crueldade vai além de excluir carne da alimentação; saber se produtos são testados em animais também é importante

A campanha mundial “Forever Against Animal Testing”, lançada em junho deste ano, pretende levar uma petição à ONU (Organização das Nações Unidas) pedindo a proibição de testes em animais em cosméticos até 2020.

De acordo com a Cruelty Free Internacional, principal organização de combate aos experimentos e uma das organizadoras dessa campanha, cerca de 115 milhões de animais são usados para testes cosméticos anualmente no mundo.

A petição, que pode ser acessada online (https://foreveragainstanimaltesting.com/page/9583/petition/1), alcançou 2 milhões de assinaturas nos primeiros dois meses, mas o objetivo é reunir ao menos 8 milhões.

Marcas brasileiras que não testam em animais

Outra grande luta dessas organizações é tornar público quais as empresas que fazem ou não fazem testes em animais. No Brasil, o PEA (Projeto Esperança Animal) disponibiliza uma lista (http://www.pea.org.br/crueldade/testes/naotestam.htm) com o nome das empresas que não realizam esse tipo de experimento.

“É importantíssimo fazer parte destas listas oficiais, pois assim crescemos, somos vistos e credenciados, pois a sociedade às vezes se confunde com o marketing de certas marcas que se fazem de sustentáveis, porém, nos bastidores testam em animais”, diz Juliana Jacinto, diretora comercial da Boutique do Corpo, que produz cosméticos biossustentáveis naturais à base de óleo de babaçu, extratos vegetais e argilas.

Para Jonas Lima, gerente de marketing da empresa Suavetex, que desenvolve itens de higiene sem nenhum tipo de testes em animais, a oferta de insumos e matérias-primas veganas no Brasil é bastante escassa, o que impacta diretamente nos custos do produto e, consequentemente, dificulta o acesso de muitas pessoas.

“À medida que esse mercado for crescendo, a tendência é que os custos diminuam, gradativamente. Como somos pioneiros no mercado de produtos veganos para higiene oral, trabalhamos para oferecer opções de qualidade para este perfil de público consumidor”, diz.

Veganismo como filosofia de vida

Lutar contra o uso de animais para consumo ou testes é a principal bandeira dos veganos. Segundo o empresário Ricardo Campos, que está à frente de um e-commerce de produtos vegetarianos e veganos (www.vegasite.com.br), muitas pessoas acreditam que a crueldade está presente apenas nos alimentos, mas milhares de animais continuam sendo torturados na indústria de cosméticos.

“A cada dia que passa cresce o número de pessoas que entendem essa realidade, os testes são extremamente cruéis, muitas vezes você não tem ideia que um simples produto que você compra despretensiosamente, como um perfume, uma maquiagem ou até mesmo um simples fio dental, podem ser os responsáveis por tanto sofrimento, e o pior, os consumidores patrocinam isso muitas vezes sem saber”, diz.

A ciência e as suas alternativas

No Brasil, o uso de animais para pesquisas científicas é alvo do trabalho do Instituto 1R, que defende caminhos alternativos para os experimentos. Para o diretor do instituto, Róber Bachinski, a presença dos animais nos testes clínicos não significa avanço tecnológico.

“Como paradigma, primeiro não temos como saber como seria a ciência sem o modelo animal. Dizer que a ciência estaria atrasada é uma falácia, pois não temos o contrário. Outras técnicas poderiam ser desenvolvidas considerando mais os limites morais. Outra falácia é achar que os animais são um avanço ao desenvolvimento científico”, afirma.

Em 2014, o Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal) emitiu um parecer reconhecendo 17 métodos alternativos ao uso de animais em pesquisas. O prazo estabelecido para substituição obrigatória foi de 5 anos, o que deve ocorrer em 2019.

Segundo Bachinski, essa lista inclui, por exemplo, o teste Draize de corrosão e irritação ocular em coelhos, que é amplamente utilizado pela indústria cosmética. Esse experimento já é proibido na União Europeia.

Conforme a preocupação sobre o bem-estar animal evolui, várias questões começam a surgir, assim como outras frentes de atuação. Ricardo Campos, da VegaSite, afirma que a preocupação do vegano vai além da dieta alimentar.

“O veganismo é uma filosofia de vida baseada no conceito de que não há justificativa para qualquer abuso ou crueldade animal. A crueldade pode estar presente no fio dental, nos cosméticos, no sabonete, no shampoo e condicionador e muitas outras coisas”, afirma.

Website: http://www.vegasite.com.br

Fonte: Dino